Entrevista em Vieiros de UGIA PEDREIRA

Entrevista em vieiros de Ugia Pedreira sobre o Patrimonio musical galego-português.

“Sempre sentim como próprio o cancioneiro galego-português.”
Ugia Pedreira


PATRIMONIO INMATERIAL GALEGO PORTUGUÉS
Ugia Pedreira: “O folque galego e o portugués som dúas pingas de agua”

[16/11/2005 14:36] “O objectivo da Marful é percorrer o mundo na procura do difícil caminho da emoçom e conseguir o equilíbrio no fio da ambiguedade a través da sua proposta musical”. A ambigüidade de Marful, coa voz de Ugia e o apoio ao acordeón, clarinete e guitarras de Pedro Pascual, Pablo Alonso e Marcos Teira, é o actual proxecto de Pedreira, que intenta reler o jazz, o folque e o cabaré para zugar nas últimas tendencias da música popular. Ugia, que emprega a voz en toda caste de soportes e estilos -desde colabouras con Banda Basotti até Eliseo Parra-, fundou no 2000 o Conservatorio de Música Tradicional e Folque de Lalín. En abril estreou a música do trío Nordestin@s, sobre cancións mariñeiras do norte de Galiza, con Guadi Galego e Abe Rábade.

Vieiros: Que potencialidades observa, desde o punto de vista da música tradicional, na candidatura galego-portuguesa? Ugia Pedreira: A música galego-portuguesa é um patrimonio vivo que devemos defender, conhecer e divulgar, pois é um dos grandes valores culturais que temos dum e doutro lado do Minho, dum e doutro lado da Raia. Um patrimonio a ter em conta tanto desde o âmbito socio-educativo como das industrias culturais.

En que se diferencian folc galego e portugués?
Desde o ponto de vista da sociedade tradicional som duas pingas de agua: as músicas do ciclo do ano, magostos, entrudos… a temática e as formas estilísticas das letras populares… Agás o mundo dos instrumentos de corda ou a maior expansom do diatónico em Portugal -na Galiza mantivemos mais a gaita de foles e a sanfona-, podese dizer que as afinidades musicais em quanto a forma son muitas e variadas se as queremos ver. Desde o ponto de vista do fenómeno actual do folque, em Galiza durante anos apostou-se por uma estética celta mas sempre houbo conexom entre músicos, desde Voces Ceives com o Zeca Afonso ou Adriano Correa de Oliveira, Na Lua com Fausto,Uxía com muitas cantantes portuguesas, Chouteira cos Gaiteiros de Lisboa… até as geraçons actuais. Houbo realaçons transitivas entre músicos, e a historia do folque galego tampouco se pode entender sem os contactos, festivais e as influencias de grupos portugueses como Vai de Roda ou Brigada Victor Jara.

O tronco común é a literatura popular…
A literatura popular pode-se contar por centos de miles de coplas compartidas com múltiples variantes e grande variedade de ritmos tambem. Que esta literatura se conserve, que estas afinidades se conhezam, estejam divulgadas e formem parte do ensino da música nos centros educativos é outro cantar… e é preciso o apoio de centros como o CMTF de Lalím, a Universidade Popular de Vigo, as universidades…

Chouteira, o célebre grupo no que cantaba vostede nos 90, incluíanse algunhas pezas do repertorio galego-portugués. Como foi a escolma?
Sempre sentimos como propio o cancioneiro galego e do norde português, a escolha foi com naturalidade polo grande afam de compartilhar. Chouteira era um grupo do Sul da Galiza e havia dous reintegracionistas dentro do grupo que miravamos mais ala da norma ortográfica. A dia de hoje fago cançons e tenho em conta o cancioneiro galego-português porque a lusofonia forma mais parte do meu mundo que os cantos de Mongolia, dos que tambem gosto.

Quen foron os pioneiros na recuperación dese tronco común da música tradicional galego-portuguesa?
Podemos acudir aos clássicos do XIX como Carolina M.Vasconcellos, no XX a Lopes Graça, Bouza Brey e tantos outros. Tambem a autores mais contemporáneos, como Jose Luis d.P. Orjais.

Como directora do Conservatorio Folque de Lalín, ten vostede contacto directo con escolas portuguesas vencelladas á música tradicional. Canto se podería aproveitar dese contacto?
O CMTF mantem contacto habitual, intercambios a nivel de produçom e educativos ***** centro en Agueda, Dorfeu e en Tondela coa Acert. Concretamente, o Conservatorio Folque participou num encontro de creaçom musical galego-portugues, frances e catalá em Evoramonte, numa quinta do Alentejo. Constantemente estamos em relaçom e a nossa comunidade web é muito visitada por músicos em Portugal, sobre tudo com músicos folque da vangarda.

Agora, en Marful, están recuperando músicas que se facían na Galiza dos 30, con letras propias. Cantos elementos de raíz aproveitan (guitarras, acordeóns diatónicos ou clarinetes baixos) e que innovacións engaden no repertorio tradicional?
Facer uma cantiga ou reinterpreta-la nom tem porque ir acompanhado do verbo “innovar”, e mais quando a música do planeta tá feita, levamos anos e anos permutando elementos e construindo cancións … qué se vai innovar? Nós inspiramo-nos nas primeiras jazz-band galegas, nas primeiras orquestinas galegas que comezavam os seus concertos com Glenn Miller e logo eram quem de arrajar uma muinheira ou um tango. Inspiramo-nos na música da emigraçom e sobre tudo fazemos as nossas proprias cancións para ser cantadas, escuitadas e bailadas com emoçom. O mundo musical galego-português levamo-lo com nós polas nossas relaçons, militancias, amores, estudos, familia…. para ejemplo a cançom O Tango do Fresco, letra do diario do maqui que se agochava entre os montes de Galiza-Portugal e música do grupo O Toque de Carvalhais, uma cançom com letra de C.Calero. Estamos muito perto; as coplas de berce galego-portuguesas semelhanse no texto e no contexto.

Fonte: Vieiros