Viagem a Águeda. The Mission.

Os irmanamentos estão bem, para quem os entender. E lá fomos cara a vila de Águeda a irmanarmo-nos. Portugal não é só Lisboa. Cinco mosqueteiras que o masculino era minoria, com o seu Dartagnam directora à frente, chegamos quase sem querer directamente à associação D’orfeu. Águeda. A associação cultural estava lá num quintal velho ao fundo dum passeio cheio de paralelepípedos brancos e grises. O director agachado trás um Macintosh branco de cola abriu-nos as portas e deixou-nos via para também abrir a sala de computadores, salas onde se aprende música, paredes muito contemporâneas cheias de fotos, tudo arrodeado por gabinetes cheios de gestão compulsiva. Um quintal em cultura da reciclagem.

Esperamos polo Silva, Luis Silva, homem muito parecido ao Robert de Niro, contador de histórias, que contacontos em Portugal seria demasiado ambiguo ou demasiada sorte. Fomos jantar com ele tentados pola manteiga prebife, e conduziu-nos desde a amabilidade estrema a ensinarmo-nos outras casas incluida na que iamos passar a noite. Fomos primeiro à casa dos voluntários europeus que lá fazem as actividades vindos desde toda parte do planeta europeu. Uma francesa, um italiano, uma finlandesa viviam lá para trabalhar em coro polo D’Orfeu. Esta casa, um museu não desenhado por Siza mas sim polos seus habitantes, com uma ampla sala, com tocadiscos sonando soundtracks Charles Chaplin, com quartos dos visitantes e terraças para olhar o sol que na tarde caia. Visitamos as adegas cheias de monicreques e um obradoiro lá embaixo para a criação e o descanso em hamaca. Depois fomos lá ver a casa encantada onde iamos dormir ou tentá-lo.

Na noite o acto do 9º aniversário D’orfeu, um concerto dum grupo chamado “Emboscados” tocando na casa com contrabaixo, piano, viola, violino e bateria. Tocando clássicos populares portugueses, Sérgio Godinho, Fausto, Zeca Afonso. Teletransporte à noite santiaguesa, “rapariguinha cose a tua saia….”, quem sabe a letra desta canção?. Após disso o Luis Pastor um cantante anunciado nos cartazes como da Galiza (começamos a ser visíveis) sendo estremenho, cantou e cantou com dous parceiros um de guiné bissau, música de autor, música tranquila. Como gostam os portugueses de tudo o que venha da Espanha. Afinal do concerto espectacular, um coro espectacular cantou uma canção que nós já vieramos cantando no meio da viagem por acaso. Final de festa em O bard’o, o bar d’orfeu. As galegas começaram com movimento de cadeiras erguendo das cadeiras ao público que ao ritmo de dança búlgara passou por todos os ritmos possíveis, desde o agarrado ao demasiado agarrado. Noite eterna, noite extrema. Na Casa encantada dormeu quem puido.

O Domingo estava reservado para conhecer mais polo miúdo a outra casa D’orfeu onde vive gente que vive da Associação cultural. Em nove anos comem dela sete pessoas numa associação duma vila de 10.000 habitantes. A gestão e as ganas têm estes danos colaterais. Mas nesta nova casa onde ensaia o incrível grupo de acordeão diatónico “Danças ocultas” com o seu novo disco pulsar todo era canas de bambu. Estavamos na selva tropical. No trópico utópico D’orfeu. E lá encontramos ao Bitocas um ser que tocara não a tuba mas o tubo de plástico em perfeita harmonia com os ritmos da noite. Ele contou-nos tudo o contável sobre a associação, quem pagava esta casa, tudo muito tranquilo, muito elaborado, dos seus projectos de investigação na música, muito interesantes.

E foi afinal cumprindo com o ritual de ir a uma pastelaria tomar um garoto, que nos demos de conta que na realidade o Bitocas tinha também um grande parecido com o Jeremy Irons de “La misión”. Mas esta vez, ao contrário que no filme não fomos decidir se deviam sobreviver ou não. Fomos acreditar na sua missão é também na nossa, que assim é como se cria tecido, desde o projecto. E todos arrodeados de música.