Jazz session no 1500

Esta Páscoa estive em Belmonte, perto da Covilhã, cidade onde nasceu Pedro Álvares Cabral, o descobridor do Brasil. No Ecomuseu há uma exposição sobre a descoberta tendo como fio condutor uma carta que Pero Vaz de Caminha, integrante da expedição, escreve ao Rei D. Manuel I, com data do 1 de Maio de 1500.

«E além do rio andavam muitos deles (indios) dançando e folgando, uns diante os outros, sem se tomarem pelas mãos. E faziam-no bem. Passou-se então para a outra banda do rio Diogo Dias, que fora almoxarife de Socavém, o qual é homem gracioso e de prazer. E levou consigo um gaiteiro nosso com sua gaita.

E meteu-se a dançar com eles, tomando-os pelas mãos; e eles folgavam e riam, e andavam com ele muito bem ao som da gaita. Depois de dançarem fez-lhes ali muitas voltas ligeiras, andando no chão, de salto real, de que se eles espantavam e riam e folgavam muito. E conquanto com aquilo os segurou e afagou muito, tomavam logo uma esquiveza como monteses, e foram-se para cima.»

«Nesse dia, enquanto ali andavam, dançaram e bailaram sempre com os nossos, ao som de um tamboril nosso, como se fossem mais amigos nossos do que nós seus.»

Pode tratar-se da primeira referência certa do uso da gaita na América e resulta alucinante pensar nesta espécie de fusão intercultural, do espantados que ficariam os indígenas e o grande arma danças que devia ser o tal Diogo Dias.

O texto completo pode ler-se aqui.
Mais nada, aguardo que vos pareça tão interessante como a mim.

José Luís d. P. Orjais.